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Em Lourdes, a visita histórica do Patriarca Bartolomeu

Lourdes, França – 05 de novembro de 2025

A convite da Conferência Episcopal da França, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu visitou o Santuário de Lourdes em 4 de novembro de 2025, numa jornada marcada pela oração, pela paz e pelo diálogo fraterno entre católicos e ortodoxos. A peregrinação ocorre às vésperas do aguardado encontro entre o Patriarca e o Papa Leão XIV, programado para o final deste mês na Turquia, por ocasião dos 1700 anos do Concílio de Niceia, sublinhando a importância deste tempo de aproximação histórica entre as Igrejas.

Durante sua visita a Lourdes, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu dirigiu-se à Assembleia Geral da Conferência Episcopal da França, convocando os cristãos a enfrentarem, com humildade e cooperação, os desafios espirituais, sociais e ecológicos do nosso tempo.

Em sua mensagem, o Patriarca sublinhou o caminho de aproximação entre católicos e ortodoxos, reforçou o compromisso com a paz e a criação, e falou de modo direto sobre a guerra na Ucrânia.

Recordando sua primeira visita ao santuário mariano em 1995, o Patriarca evocou a longa caminhada de reconciliação entre Oriente e Ocidente e a constante proteção da Theotokos.

Lourdes, destacou,

é sinal de que Deus realiza maravilhas na vida dos humildes e oferece cura e esperança em meio às feridas do materialismo e do ateísmo modernos.

Cuidado com a criação e colaboração entre fé e ciência

Bartolomeu renovou seu apelo histórico à “conversão ecológica”, unindo a Jornada de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrada em 1º de setembro, ao chamado cristão de cuidar de um mundo ferido. Alertou contra uma falsa oposição entre ciência e fé, afirmando que a graça divina “penetra toda a criação” e que crentes e cientistas, “cada qual em sua linguagem”, leem o mesmo livro da sabedoria de Deus.

O Patriarca criticou teorias conspiratórias e negações ideologizadas vistas durante a pandemia e nos debates climáticos, qualificando tais atitudes como “cegueira espiritual”, e convidou à sobriedade, paciência e ao “alegria do desapego”, em lugar de excessos consumistas.

Caminho de amizade e unidade entre católicos e ortodoxos

Mencionando o Concílio Vaticano II e as suspensões recíprocas das excomunhões de 1054, Bartolomeu louvou o testemunho teológico francês e figuras como Yves Congar e Henri de Lubac, que promoveram o diálogo entre as Igrejas. Ressaltou que a verdadeira tradição não é imobilismo, mas fidelidade criativa, tornando viva a fé no presente histórico. O avanço rumo à plena comunhão, acrescentou, exige perdão, paciência e caridade concreta.

Contra o etnofiletismo e um pronunciamento claro sobre a Ucrânia

Ao tratar da instrumentalização política da religião, o Patriarca condenou o etnofiletismo como “heresia moderna”, rejeitada pelo Sínodo de Constantinopla de 1872.

Referindo-se à concessão da autocefalia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia, recordou que o Patriarcado Ecumênico exerceu “os direitos canônicos e históricos que lhe são próprios”, garantindo aos fiéis ucranianos vida eclesial em liberdade de consciência e de testemunho.

Com palavras firmes, condenou a guerra desencadeada pela Rússia, afirmando que, ao atacar Kyiv, Moscou selou “uma nova aliança entre trono e altar”, incompatível com o Evangelho e com a Ortodoxia, arrastando uma nação outrora profundamente piedosa “a um abismo de impiedade”.

Denunciou o sofrimento sobretudo de mulheres e crianças e saudou o reconhecimento, por parte do Estado, da Igreja e da opinião pública na França, de que está em jogo não apenas a integridade territorial, mas também a integridade moral da Europa.

Diálogo inter-religioso e combate ao niilismo contemporâneo

Citando o decreto Nostra aetate e o Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa (Creta, 2016), Bartolomeu reafirmou o valor do diálogo inter-religioso como caminho para a confiança mútua e a paz “que vem do alto”. Denunciou o “duplo niilismo” de dissolver identidades e depois reconstruí-las artificialmente, e exortou os cristãos a evitar o isolamento e a redescobrir o ardor apostólico.

Esperança na nova geração

Concluindo, dirigiu-se aos jovens, “presente vivo” da Igreja, cuja fé e serviço mostram que o Evangelho continua a dar fruto. Pediu que os pastores os acompanhem com oração, escuta e discernimento, para que sua esperança se torne força de renovação espiritual e unidade. Inspirado pela mensagem de Lourdes, convidou a uma vida de penitência, oração e humildade, a fim de testemunhar com autenticidade Cristo crucificado e ressuscitado, “pela vida do mundo”.

Fonte: “À Lourdes, la visite historique du patriarche Bartholomée Ier”, ΦΩΣ ΦΑΝΑΡΙΟΥ, 5 nov 2025. fosfanari

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