Durante o período eclesiástico que culmina na celebração de 15 de agosto, a expressão “Apóstolos desde os confins da Terra” adquire um significado teológico particularmente profundo. É com essa imagem que se inicia o hexapostelário da festa da Dormição da Theotokos. A representação dos Apóstolos, reunidos desde os “confins” da Terra para assistir à Dormição e ao sepultamento da Theotokos, simboliza a catolicidade e a universalidade da Igreja Ortodoxa.
Segundo a tradição eclesiástica, os Apóstolos encontravam-se dispersos por diversas regiões do mundo, cumprindo a missão que lhes fora confiada de anunciar a mensagem do Evangelho, conforme o mandamento de Cristo: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28,19-20).
A expressão “Apóstolos desde os confins da Terra” evidencia, assim, a universalidade da Igreja, que não se dirige exclusivamente a um determinado povo, território ou grupo social. A mensagem do Evangelho possui caráter universal e escatológico e se destina a toda a humanidade: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim” (Mt 24,14).
Subestimar a responsabilidade desse testemunho pessoal significaria, em última análise, negar a própria natureza do Evangelho. A Igreja é universal porque reúne em um só Corpo pessoas de diferentes origens, nacionalidades, gêneros, línguas, culturas e contextos sociais. Sua unidade não se fundamenta na uniformidade, mas na diversidade reconciliada e na participação comum no Corpo de Cristo. Nesse sentido, a imagem dos Apóstolos provenientes de diferentes lugares constitui uma poderosa representação da unidade na diversidade de expressões nacionais, étnicas, sociais e culturais.
O significado autêntico da Igreja também pode ser compreendido a partir do próprio sentido da palavra ekklesia, entendida no novo contexto cristão como “chamado para fora, para a reunião do povo de Deus”. Esse “para fora” não indica apenas o afastamento geográfico de Jerusalém, mas aponta para o mundo inteiro, chamado a participar do acontecimento da Salvação.
Além disso, a Sinaxe dos Apóstolos em torno da Theotokos pode ser compreendida como uma imagem da Igreja Católica, que se reúne em torno de Cristo e vive a unidade da fé, segundo a oração do próprio Senhor: “para que todos sejam um” (Jo 17,21).
A universalidade da Igreja está, portanto, intimamente vinculada ao conceito de apostolicidade. É importante enfatizar que a Igreja é Apostólica não apenas no sentido da sucessão apostólica, mas também enquanto continuidade da missão e da obra dos Apóstolos. Essa missão deve ser ampliada, transmitida e atualizada por todos os meios e formas possíveis, alcançando os “confins da Terra” em suas múltiplas dimensões: geográfica, temporal, cultural e social.
Os Apóstolos, inspirados pela expectativa da vinda do Reino de Deus — isto é, da manifestação de um novo mundo fundamentado no amor e na justiça, no respeito mútuo, no apoio e na liberdade —, testemunharam, por sua palavra e por sua própria vida, o atemporal “ἔρχου καὶ ἴδε” — “Vem e vê” (Jo 1,46), dirigido pelo Apóstolo Filipe a todo Natanael de boa vontade.
O Deus de amor, entretanto, não impõe nem constrange a liberdade humana. Antes, a solicita e a espera por meio do amor, pois, sem liberdade, o ser humano seria reduzido à condição dos demais animais. Como afirma de maneira característica São João Damasceno:
“A escravidão subjugaria suas ações e conduziria seus pensamentos a um círculo limitado, no qual ele giraria. As ideias do bem e do belo lhe seriam desconhecidas; ignoraria o que é vergonhoso, o que é mau e o que é falso; não teria poder de ação própria nem capacidade de sair do círculo limitado dos impulsos inatos.”
Os Apóstolos, portanto, dirigiram-se a todos, anunciando a dimensão soteriológica do ideal cristão, mas sem constranger ninguém a acolhê-lo. Também nós somos chamados a prosseguir essa missão, que deve assumir a forma de uma relação dialética e de um processo dinâmico de interação e reconhecimento mútuo: uma relação que une sem nivelar, aproxima sem apagar as diferenças e acolhe sem violentar a liberdade.
Os períodos de inatividade apostólica e de indiferença pastoral diante da salvação do mundo e das pessoas revelam, sem dúvida, sinais de alienação e secularização. A Igreja, porém, não se constitui apenas daqueles que já são seus fiéis. Seus membros compreendem os fiéis que foram, os que são e os que virão a ser: “os fiéis em todo o mundo, que são, que estão a vir a ser e que serão”.
Como afirmou enfaticamente o Beato Arcebispo da Albânia, Dom Anastasios, os mais injustiçados de nosso tempo são aqueles que foram privados da Palavra de Deus, “não porque eles próprios se recusaram a ouvi-la, mas porque aqueles que a possuíram durante séculos foram indiferentes em torná-la conhecida a eles”.
A evangelização até os confins da Terra não constitui, portanto, uma preocupação oportunista, secundária ou marginal da Igreja, que o ser humano poderia negligenciar ou simplesmente omitir. Ela é, antes de tudo, uma expressão do amor de Cristo e uma consequência da própria natureza missionária da Igreja.
São Porfírio de Kavsokalyvite expressa de modo particularmente eloquente essa continuidade da propagação do Evangelho do amor de Cristo até os confins do mundo:
“O amor por Cristo não tem limites, assim como o amor pelo próximo. Deve estender-se a todos os lugares, até os confins da Terra. A todos os lugares, a todas as pessoas. Eu queria ir viver sem pecado para mostrar o amor de Cristo, quão grande ele é e como pode mudar e transforma nossa vida. O amor está acima de tudo.


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