{"id":51703,"date":"2026-06-13T15:03:45","date_gmt":"2026-06-13T18:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/?p=51703"},"modified":"2026-06-13T16:12:14","modified_gmt":"2026-06-13T19:12:14","slug":"a-deificacao-na-tradicao-da-igreja-ortodoxa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/?p=51703","title":{"rendered":"A Deifica\u00e7\u00e3o na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja Ortodoxa"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"51703\" class=\"elementor elementor-51703\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-5f5855e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"5f5855e\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-10287aa\" data-id=\"10287aa\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-55364ec elementor-widget elementor-widget-testimonial\" data-id=\"55364ec\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"testimonial.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-wrapper\">\n\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-meta elementor-has-image elementor-testimonial-image-position-aside\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-meta-inner\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-image\">\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"182\" height=\"227\" src=\"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/metropolita-de-ioannina.png\" class=\"attachment-full size-full wp-image-51705\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/metropolita-de-ioannina.png 182w, https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/metropolita-de-ioannina-44x55.png 44w\" sizes=\"(max-width: 182px) 100vw, 182px\" \/>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-details\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-name\">S. E. Rev.ma M\u00e1ximos <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-testimonial-job\">Metropolita de Ioannina<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2357c3f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2357c3f\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1831550\" data-id=\"1831550\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9a80677 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"9a80677\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2><p>Desde o princ\u00edpio, Deus criou o ser humano de tal modo que pudesse tornar-se semelhante a Ele. O homem, por\u00e9m, fez mau uso de sua liberdade e caiu da condi\u00e7\u00e3o paradis\u00edaca, a qual lhe proporcionava tudo o que era necess\u00e1rio para avan\u00e7ar do estado de <strong><em>\u00absegundo a imagem\u00bb<\/em><\/strong> para o estado de <strong><em>\u00absegundo a semelhan\u00e7a\u00bb<\/em><\/strong>. Jesus Cristo, quando chegou a plenitude dos tempos, assumiu a natureza humana para restaur\u00e1-la \u00e0 sua antiga beleza, ao esplendor original da participa\u00e7\u00e3o na luz divina, na energia incriada e na gl\u00f3ria trinit\u00e1ria. Ele nos mostrou quem \u00e9 verdadeiramente o homem e por que foi criado; qual \u00e9 o seu destino e qual \u00e9 o prop\u00f3sito de sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Assim, por meio de Jesus Cristo, aprendemos qual \u00e9 o termo final da caminhada humana e como somos conduzidos, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e0 semelhan\u00e7a com Deus. Os meios para alcan\u00e7ar esse fim nos s\u00e3o concedidos agora no interior de Seu Corpo, a Igreja, desde o Santo Batismo, no qual o homem velho morre e o homem novo \u00e9 formado, bem como por meio de todos os mist\u00e9rios salv\u00edficos de Sua Igreja.<\/p><p>Escreve S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo:<\/p><blockquote><p><em>\u00abQuando Cristo pronuncia a palavra \u201crevesti-vos\u201d, ordena-nos que nos revistamos d\u2019Ele pr\u00f3prio, para que Ele seja tudo em n\u00f3s, tanto interior quanto exteriormente. Pois Ele \u00e9 nossa plenitude e nosso fim; \u00e9 caminho e esposo, alimento e vida, ap\u00f3stolo e sumo sacerdote, companheiro do t\u00famulo e da cruz, mendigo, casa e amigo. E n\u00f3s somos Seus membros, Seu campo, Seu edif\u00edcio, Seus ramos e Seus cooperadores. Ele nos une e nos vincula a Si de todos os modos poss\u00edveis, o que \u00e9 pr\u00f3prio daquele que ama com toda a for\u00e7a do seu amor.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(<em>S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Homilia sobre Romanos XVI<\/em>)<\/p><p>O caminho do fiel no interior do Corpo de Cristo \u00e9 um caminho transformador, um caminho terap\u00eautico, para que o homem se torne capaz de apropriar-se da Gra\u00e7a de Deus, fazendo do pr\u00f3prio Deus seu companheiro de caminho e colaborador no esfor\u00e7o de participar da verdadeira vida, que \u00e9 a vida eterna e o conhecimento de Deus dentro da luz da gra\u00e7a divina.<\/p><h2>Metodologia<\/h2><p>\u00a0A metodologia dos m\u00e9dicos espirituais que colocaram a sua vida a servi\u00e7o do Corpo de Cristo, a Igreja, sempre foi e continua sendo m\u00e9dico-terap\u00eautica, constituindo o duplo caminho da s\u00e3 teologia. O que se busca \u00e9 a cura, a qual pressup\u00f5e a adequada educa\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio tanto do corpo quanto da alma, para que tenha lugar a prepara\u00e7\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Dentro do sistema espiritual e pr\u00e1tico de <strong>cura<\/strong> da Igreja coexistem, como experi\u00eancias e modo de vida, <strong>a ora\u00e7\u00e3o, a ascese, a vida sacramental, o culto divino, a Revela\u00e7\u00e3o divina, a consci\u00eancia dogm\u00e1tica, a ortodoxia e a ortopraxia<\/strong> como exerc\u00edcio das virtudes, bem como a obra de evangeliza\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p><p>S\u00e3o Bas\u00edlio, o Grande, ensina-nos:<\/p><blockquote><p><em>\u00abA prepara\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o consiste em <strong>desaprender<\/strong> os ensinamentos do mau h\u00e1bito. Pois, assim como n\u00e3o podes escrever sobre a cera sem antes apagar as letras que nela estavam escritas, tamb\u00e9m n\u00e3o podes introduzir os dogmas na alma sem primeiro expulsar as ideias preconcebidas \u00e0s quais ela estava acostumada.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(S\u00e3o Bas\u00edlio, <em>Carta II a Greg\u00f3rio, seu companheiro<\/em>)<\/p><p>S\u00e3o Bas\u00edlio, o Grande, tamb\u00e9m nos fala do <strong>arrependimento<\/strong> e da <strong>purifica\u00e7\u00e3o dos pensamentos<\/strong>. <strong>A tarefa fundamental da purifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o combate e a elimina\u00e7\u00e3o dos pensamentos<\/strong>. Existem dois modos de pensamentos pelos quais as ideias perturbam a nossa faculdade racional. O primeiro ocorre quando a nossa mente divaga por nossa pr\u00f3pria neglig\u00eancia \u2014 isto \u00e9, pela <strong>dispers\u00e3o mental<\/strong> \u2014 e cai das fantasias irracionais na obscuridade da imagina\u00e7\u00e3o. O segundo consiste na <strong>cilada do diabo<\/strong>, que apresenta fantasias absurdas para afastar o homem da louv\u00e1vel dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 Palavra de Deus.<\/p><p>A contri\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o desses pensamentos. Quem os desprezar e entregar a faculdade governante de sua alma \u2014 isto \u00e9, a mente \u2014 aos pensamentos divinos, adquirir\u00e1 um cora\u00e7\u00e3o contrito e humilde. Realizando esse sacrif\u00edcio espiritual, conserva o seu cora\u00e7\u00e3o, pela gra\u00e7a, sem ser rejeitado pelo Senhor.<\/p><p>S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo ensina-nos que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o purificado est\u00e1 cheio de maus pensamentos, possui inveja e engano, e encontra-se pervertido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade e aos dogmas. O cora\u00e7\u00e3o purificado experimenta alegria, conhecendo a Deus e \u00e0 Sua gra\u00e7a, vivendo o amor divino e adquirindo a filosofia divina mediante a revela\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Cristo, portanto, concede-nos a participa\u00e7\u00e3o na gra\u00e7a do Esp\u00edrito, para que se realize a uni\u00e3o e se abra o caminho para a semelhan\u00e7a. Escreve o Sacro Cris\u00f3stomo:<\/p><blockquote><p><em>\u00abAssim como o fogo entra em contato com o ferro e o ferro se torna fogo, permanecendo, contudo, na natureza do ferro, assim tamb\u00e9m a carne dos fi\u00e9is que possuem o Esp\u00edrito Santo move-se para uma condi\u00e7\u00e3o espiritual e \u00e9 elevada juntamente com a alma.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, <em>Homilia sobre os Atos, XXXII<\/em>)<\/p><p>Por sua vez, S\u00e3o Greg\u00f3rio, o Te\u00f3logo, exorta-nos a tornar-nos como Cristo, uma vez que Ele nos concedeu essa possibilidade:<\/p><blockquote><p><em>\u00abFa\u00e7amo-nos como Cristo, j\u00e1 que Cristo tamb\u00e9m Se fez semelhante a n\u00f3s. Fa\u00e7amo-nos deuses por meio d\u2019Ele, porque tamb\u00e9m Ele Se fez homem por n\u00f3s. Tomou o pior para nos dar o melhor. Fez-Se pobre para que n\u00f3s enriquec\u00eassemos por meio de Sua pobreza. Assumiu a forma de servo para que n\u00f3s desfrut\u00e1ssemos da liberdade. Desceu para que n\u00f3s f\u00f4ssemos elevados. Suportou as tenta\u00e7\u00f5es para que n\u00f3s venc\u00eassemos. Suportou a desonra para nos glorificar. Morreu para nos salvar e ascendeu para atrair-nos para Si desde as profundezas onde nos encontr\u00e1vamos, ca\u00eddos e mortos pelo pecado.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(S\u00e3o Greg\u00f3rio, o Te\u00f3logo, <em>Discurso I sobre a Santa P\u00e1scoa<\/em>)<\/p><p>S\u00e3o M\u00e1ximo, o Confessor, revela-nos seis abstin\u00eancias que auxiliam na purifica\u00e7\u00e3o, para que a gra\u00e7a de Deus possa habitar em nosso ser:<\/p><blockquote><p><em>\u00abSeis s\u00e3o as abstin\u00eancias que, se lograrmos praticar, nos permitem conhecer a Deus. A primeira \u00e9 a abstin\u00eancia da a\u00e7\u00e3o pecaminosa. A segunda \u00e9 a abstin\u00eancia da alimenta\u00e7\u00e3o excitante e desmedida. A terceira \u00e9 a abstin\u00eancia dos lugares onde se encontram pessoas desenfreadas e luxuriosas. A quarta \u00e9 a abstin\u00eancia de trabalhos incompat\u00edveis com a vida segundo Deus. A quinta \u00e9 a abstin\u00eancia de uma vida censur\u00e1vel que dispersa a mente em muitas dire\u00e7\u00f5es. A sexta \u00e9 a abstin\u00eancia da pr\u00f3pria vontade.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>A terapia, portanto, que traz consigo a gra\u00e7a de Deus mediante a abstin\u00eancia do mal e a participa\u00e7\u00e3o nos mist\u00e9rios salv\u00edficos, \u00e9 seguida pela <strong>cura<\/strong> e pela <strong>restaura\u00e7\u00e3o<\/strong> da imagem divina; depois vem a entrada no Santo dos Santos mediante a ilumina\u00e7\u00e3o divina e o estabelecimento do Esp\u00edrito Santo nas profundezas do nosso ser.<\/p><h2>A luta espiritual como livre escolha humana<\/h2><blockquote><p><em>\u00abS\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo utiliza o termo <strong>pro\u00e1iresis<\/strong> (livre escolha) em estreita rela\u00e7\u00e3o com a <strong>vontade, o livre-arb\u00edtrio e a determina\u00e7\u00e3o. Pro\u00e1iresis<\/strong> significa escolha livre, decis\u00e3o deliberada e liberdade para decidir. Em Cris\u00f3stomo, contudo, esse termo adquire uma import\u00e2ncia extraordin\u00e1ria.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(Dem\u00e9trio Trakatelis, <em>Os Padres interpretam, Atenas<\/em>, 1995, pp. 71-91)<\/p><p>S\u00e3o Nicetas Estetato escreve acerca da deifica\u00e7\u00e3o:<\/p><blockquote><p><em>\u00abA deifica\u00e7\u00e3o \u00e9, nesta vida, a verdadeira e espiritual liturgia divina, durante a qual o Logos da Sabedoria inef\u00e1vel atua sacramentalmente e Se comunica \u00e0queles que se prepararam, tornando-Se para eles aquilo que une.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>Essa uni\u00e3o exprime-se tamb\u00e9m mediante a unidade da f\u00e9.<\/p><p>Aqueles que experimentam a deifica\u00e7\u00e3o como revela\u00e7\u00e3o das realidades divinas por meio da participa\u00e7\u00e3o em Deus, dentro da luz da gra\u00e7a divina, tornam-se <strong>conformes<\/strong> \u00e0 imagem do Filho de Deus. Encontram-se no caminho do <strong>\u00absegundo a semelhan\u00e7a\u00bb. <\/strong>Estes ser\u00e3o deuses por posi\u00e7\u00e3o ou por participa\u00e7\u00e3o para os demais homens sobre a terra. (Hierotheos Vlachos, <em>Conversa\u00e7\u00f5es sobre a Psicoterapia Ortodoxa, Os Deificados<\/em>, p. 126)<\/p><h2>A deifica\u00e7\u00e3o como participa\u00e7\u00e3o no Reino de Deus<\/h2><p><strong>Em Deus distinguimos entre ess\u00eancia e energia. A ess\u00eancia \u00e9 incomunic\u00e1vel<\/strong>; n\u00e3o podemos ter qualquer rela\u00e7\u00e3o com ela e encontra-se para al\u00e9m de toda compreens\u00e3o por parte das criaturas e, certamente, do homem. <strong>A energia, ao contr\u00e1rio, \u00e9 particip\u00e1vel. A energia de Deus tamb\u00e9m recebe o nome de gra\u00e7a divina<\/strong>.<\/p><p>A experi\u00eancia da gra\u00e7a divina manifesta-se para muitos dos deificados sob a forma de <strong>luz<\/strong>. S\u00e3o Bas\u00edlio, o Grande, escreve que as almas iluminadas pela luz divina transmitem tamb\u00e9m essa gra\u00e7a a outros e recebem simultaneamente numerosos dons, tais como:<\/p><ul><li>conhecimento pr\u00e9vio de acontecimentos futuros;<\/li><li>compreens\u00e3o dos mist\u00e9rios;<\/li><li>percep\u00e7\u00e3o das coisas ocultas;<\/li><li>distribui\u00e7\u00e3o de carismas;<\/li><li>alegria inesgot\u00e1vel;<\/li><li>comunh\u00e3o com os anjos;<\/li><li>perman\u00eancia em Deus;<\/li><li>cidadania celeste;<\/li><li>semelhan\u00e7a com Deus;<\/li><li>e o mais elevado de todos os bens que almejamos: tornar-se deuses.<\/li><\/ul><p>Os Santos Padres da Igreja concordam quanto a isso, entre eles S\u00e3o M\u00e1ximo, o Confessor, e S\u00e3o Greg\u00f3rio Palam\u00e1s: aqueles que foram deificados, isto \u00e9, <strong>aqueles que se uniram a Cristo, tornam-se sem princ\u00edpio e sem fim, pois j\u00e1 n\u00e3o vivem uma vida temporal que possui come\u00e7o e t\u00e9rmino.<\/strong><\/p><p>Em outras palavras, participam da vida eterna; s\u00e3o aqueles que passaram da morte para a vida.<\/p><blockquote><p><em>\u00abParticipando desta contempla\u00e7\u00e3o, o homem deificado adquire pela gra\u00e7a aquelas propriedades que Deus possui por natureza.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(Hierotheos Vlachos, op. cit., p. 128)<\/p><p>Escreve S\u00e3o Greg\u00f3rio Palam\u00e1s:<\/p><blockquote><p><em>\u00abAssim como o resplendor presente nos olhos, ao unir-se aos raios do sol, torna-se verdadeiramente luz e desse modo v\u00ea as coisas sens\u00edveis, da mesma maneira a mente, quando chega a ser um s\u00f3 esp\u00edrito com o Senhor, contempla com pureza as realidades espirituais.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>E quanto v\u00ea?<\/p><blockquote><p><em>\u00abN\u00e3o v\u00ea tanto quanto \u00e9 aquilo que contempla, mas tanto quanto se tornou receptiva ao poder do Esp\u00edrito Santo.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>Por isso, na festa da Transfigura\u00e7\u00e3o cantamos:<\/p><blockquote><p><em>\u00abMostraste aos Teus disc\u00edpulos a Tua gl\u00f3ria, segundo podiam suport\u00e1-la.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>Isto \u00e9, na medida em que eles podiam contempl\u00e1-la. Como diz S\u00e3o Dion\u00edsio:<\/p><blockquote><p><em>\u00abA uni\u00e3o dos deificados com a Luz supraessencial \u00e9 o repouso de toda atividade intelectual.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(S\u00e3o Dion\u00edsio Areopagita, <em>Sobre os Nomes Divinos,<\/em> I, 5; PG 3, 593C)<\/p><p>Prossegue Palam\u00e1s, dizendo:<\/p><blockquote><p><em>\u00abQuando algu\u00e9m deseja ascender aos mist\u00e9rios inef\u00e1veis de Deus, a contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste apenas em nega\u00e7\u00e3o e abstra\u00e7\u00e3o, mas em uni\u00e3o e deifica\u00e7\u00e3o, realizadas de modo m\u00edstico e inef\u00e1vel pela gra\u00e7a de Deus, ap\u00f3s ter afastado completamente tudo aquilo que mant\u00e9m a mente presa \u00e0s coisas inferiores; ou melhor, ap\u00f3s alcan\u00e7ar aquele repouso que \u00e9 superior a toda abstra\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(S\u00e3o Greg\u00f3rio Palam\u00e1s,<em> Em Defesa dos Santos Hesicastas<\/em>)<\/p><p>A cessa\u00e7\u00e3o de toda atividade intelectual e a uni\u00e3o com a Luz supracelestial s\u00e3o pr\u00f3prias unicamente daqueles que alcan\u00e7aram a purifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e o adornaram com as virtudes e a gra\u00e7a. Em lugar de olhos, ouvidos e racioc\u00ednios ordin\u00e1rios, possuem o Esp\u00edrito incompreens\u00edvel, por meio do qual veem, ouvem e compreendem. E verdadeiramente, quando cessa toda atividade intelectual, com que contemplam a Deus os homens iguais aos anjos, sen\u00e3o com o poder do Esp\u00edrito?<\/p><p>Por isso, esta vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma <strong>sensa\u00e7\u00e3o<\/strong>, pois n\u00e3o \u00e9 percebida por meio dos sentidos. Tampouco \u00e9 um ato do <strong>pensamento<\/strong>, porque n\u00e3o \u00e9 adquirida mediante racioc\u00ednios nem mediante o conhecimento discursivo dos pensamentos, mas pela cessa\u00e7\u00e3o de toda atividade mental. N\u00e3o \u00e9 <strong>imagina\u00e7\u00e3o<\/strong>, nem <strong>reflex\u00e3o discursiva<\/strong>, nem <strong>opini\u00e3o<\/strong>, nem <strong>qualquer conclus\u00e3o l\u00f3gica<\/strong>. Tampouco \u00e9 alcan\u00e7ada apenas por meio da ascens\u00e3o apof\u00e1tica.<\/p><p>Deste modo, toda forma de ora\u00e7\u00e3o culmina na ora\u00e7\u00e3o pura, e todo discurso conclui na transcend\u00eancia de todos os seres. Depois da ora\u00e7\u00e3o existe uma vis\u00e3o inef\u00e1vel e um \u00eaxtase contemplativo, assim como mist\u00e9rios indescrit\u00edveis. Depois da transcend\u00eancia dos seres \u2014 ou, mais exatamente, depois da cessa\u00e7\u00e3o de toda atividade \u2014, se existe uma ignor\u00e2ncia, esta \u00e9 superior ao conhecimento; e, se existe uma obscuridade, esta \u00e9 sobreluminosamente resplandecente.<\/p><p>Nessa obscuridade supraluminosa s\u00e3o concedidas as realidades divinas aos santos, conforme ensina o grande Dion\u00edsio.<\/p><h2>Alcance e limites da deifica\u00e7\u00e3o<\/h2><p>Na passagem evang\u00e9lica que afirma que ningu\u00e9m jamais viu a Deus (Jo 1,18), o evangelista Jo\u00e3o refere-se \u00e0 <strong>ess\u00eancia divina<\/strong>, bem como ao conhecimento intelectual dessa ess\u00eancia. Segundo S\u00e3o M\u00e1ximo, o Confessor, a gra\u00e7a divina, embora conceda deleite \u00e0queles que dela participam, n\u00e3o lhes concede compreens\u00e3o exaustiva nem apreens\u00e3o total. Segundo S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa, a promessa da vis\u00e3o de Deus possui um duplo significado. O primeiro significado seria conhecer a natureza divina que est\u00e1 acima de todas as coisas; isto, segundo os santos, \u00e9 imposs\u00edvel. O segundo significado \u00e9 aquilo que o Senhor promete quando declara bem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o:<\/p><blockquote><p><em>\u00abBem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o, porque eles ver\u00e3o a Deus.\u00bb<\/em> (Mt 5,8)<\/p><\/blockquote><p>(S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa, <em>Discurso Antirr\u00e9tico II<\/em>)<\/p><p>Portanto, o \u00abrosto\u00bb de Deus que pode ser contemplado \u00e9 a <strong>energia<\/strong> e a gra\u00e7a divinas quando se manifestam aos dignos. O \u00abrosto\u00bb de Deus que jamais pode ser visto \u00e9 a natureza ou ess\u00eancia divina, que se encontra para al\u00e9m de toda express\u00e3o e de toda vis\u00e3o, pois ningu\u00e9m jamais viu nem descreveu a natureza de Deus. (<em>Homilia XI, Sobre a Vener\u00e1vel Cruz<\/em>).<\/p><p>S\u00e3o Greg\u00f3rio ensina que a contempla\u00e7\u00e3o de Deus, isto \u00e9, a vis\u00e3o de Deus \u2014 <strong><em>teoptia<\/em><\/strong> \u2014, n\u00e3o ocorre exteriormente, mas interiormente. O homem contempla a luz incriada mediante a deifica\u00e7\u00e3o, mediante a glorifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata, portanto, de uma vis\u00e3o atrav\u00e9s dos sentidos corporais, mas mediante a a\u00e7\u00e3o espiritual e interior da gra\u00e7a, que transforma o homem tanto interior quanto exteriormente para que possa receber o dom da vis\u00e3o de Deus.<\/p><p>Por conseguinte, tamb\u00e9m <strong>os sentidos corporais s\u00e3o transformados<\/strong> para se tornarem capazes de perceber a luz incriada. Esta deifica\u00e7\u00e3o do homem \u00e9, na realidade, uni\u00e3o com Deus, comunh\u00e3o com Deus. O conhecimento de Deus que surge da deifica\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecimento <strong>unicamente<\/strong> daquilo que \u00e9 revelado ao homem criado por meio da energia divina.<\/p><blockquote><p><em>\u00abA deifica\u00e7\u00e3o \u00e9 participa\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o divinizadora. O conhecimento de Deus \u00e9 fruto da uni\u00e3o do homem com Deus. Esse conhecimento de Deus est\u00e1 acima do conhecimento humano. E n\u00e3o somente est\u00e1 acima do conhecimento humano, mas tamb\u00e9m acima da virtude.<\/em><\/p><\/blockquote><p>S\u00e3o Greg\u00f3rio Palam\u00e1s relaciona o conhecimento de Deus com a vis\u00e3o da luz incriada, com a deifica\u00e7\u00e3o do homem e com sua comunh\u00e3o com Deus.\u00bb<\/p><p>(Hierotheos Vlachos,<em> Doen\u00e7a e Sa\u00fade Espiritual, <\/em>cap. 4, p. 168)<\/p><h2>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2><p>Escreve o Anci\u00e3o Jos\u00e9, o Hesicasta, a uma monja:<\/p><blockquote><p><em>\u00abA situa\u00e7\u00e3o atual da maioria reduziu-se a uma forma exterior. Al\u00e9m disso, n\u00e3o existe preocupa\u00e7\u00e3o com o interior da alma, onde reside o essencial, onde se unem o material e o imaterial, o homem e Deus, na medida em que isso \u00e9 poss\u00edvel para a nossa natureza terrena. Nessa luta, Deus deve cooperar, porque sem Ele nada pode ser alcan\u00e7ado. A livre vontade do homem deve empenhar-se. O corpo deve derramar sangue, porque a pele do homem interior deve desprender-se; o homem velho deve derreter-se como a cera. E assim como, quando o ferro entra no fogo, perde a ferrugem que o recobre, assim sucede tamb\u00e9m com o homem. Pouco a pouco vem a gra\u00e7a e, apenas se aproxima do homem, este derrete-se como a cera. Nesse momento, o homem j\u00e1 n\u00e3o se reconhece a si mesmo, embora se torne inteiramente uma mente clarividente, cheia de olhos espirituais e de extraordin\u00e1ria clareza. Nessa energia sobrenatural, o homem n\u00e3o pode distinguir-se de si mesmo, porque se une completamente com Deus. Ent\u00e3o cai a ferrugem, morre o homem velho, elimina-se a corrup\u00e7\u00e3o herdada e a massa humana \u00e9 renovada. O homem n\u00e3o muda corporalmente, mas a gra\u00e7a ilumina, fortalece e renova os seus dons e qualidades naturais. Assim revive o antigo Ad\u00e3o, que foi criado \u00e0 imagem de Deus.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>S\u00e3o Jos\u00e9 tamb\u00e9m escreve acerca dos rem\u00e9dios da alma para alcan\u00e7ar a purifica\u00e7\u00e3o e a ilumina\u00e7\u00e3o:<\/p><ul><li>jejum,<\/li><li>vig\u00edlia,<\/li><li>ora\u00e7\u00e3o,<\/li><li>humildade,<\/li><li>perseveran\u00e7a,<\/li><\/ul><p>para atrair a gra\u00e7a de Deus e fazer com que Deus Se torne colaborador do homem. E prossegue dizendo:<\/p><blockquote><p><em>\u00abO homem luta para mudar a sua natureza e n\u00e3o pode faz\u00ea-lo por si mesmo; mas Deus a transforma. Porque Ele, que estabeleceu os limites de todas as coisas, pode derrubar esses limites e modificar a natureza segundo a Sua vontade. Mesmo quando outros te injuriarem, deves reconhecer a tenta\u00e7\u00e3o que os move e arrepender-te tu mesmo, chorando como se fosses o causador. Deves combater o teu pr\u00f3prio eu e convencer-te de que as coisas s\u00e3o como os outros dizem, ainda que n\u00e3o o sejam. Deves ver que tens raz\u00e3o e, contudo, persuadir-te de que \u00e9s tu quem est\u00e1 equivocado. Esta \u00e9 a arte das artes e a ci\u00eancia das ci\u00eancias: que desapare\u00e7a todo sentimento de direito pr\u00f3prio e se extinga completamente a soberba; tornar-se insensato com plena consci\u00eancia. Hoje, se algu\u00e9m fala da gra\u00e7a ou da purifica\u00e7\u00e3o do homem interior, \u00e9 considerado um extraviado. Deve honrar-nos Aquele que organiza o combate, mostra os pr\u00eamios, estabelece as regras da luta, concede a for\u00e7a, subjuga os advers\u00e1rios, coroa os atletas e recompensa a vit\u00f3ria. Isso n\u00e3o pode ser aprendido facilmente por palavras, se algu\u00e9m n\u00e3o entrar na fornalha da prova\u00e7\u00e3o; tampouco pode ser compreendido, se n\u00e3o for experimentado. Humilha, pois, o teu modo de pensar e n\u00e3o creias que \u00e9 f\u00e1cil aprender estas coisas.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(Anci\u00e3o Jos\u00e9,<em> Express\u00e3o da Experi\u00eancia Mon\u00e1stica, Carta XLII<\/em>)<\/p><p>A cura dos \u00f3rg\u00e3os do conhecimento implica simultaneamente a sua purifica\u00e7\u00e3o do pecado e da corrup\u00e7\u00e3o produzida pelas paix\u00f5es. D\u00e1-se especial aten\u00e7\u00e3o ao principal \u00f3rg\u00e3o do conhecimento, a mente (<em>nous<\/em>), porque a sua fun\u00e7\u00e3o possui uma import\u00e2ncia decisiva no reino do ser e da personalidade humana.<\/p><p>Mas o que \u00e9 a pureza da mente?<\/p><p>A pureza da mente \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o nas realidades divinas, nas coisas e pensamentos de Deus, ap\u00f3s a pr\u00e1tica das virtudes. A pr\u00e1tica das virtudes multiplica a gra\u00e7a no homem, e a presen\u00e7a da gra\u00e7a purifica a mente dos pensamentos malignos.<\/p><blockquote><p><em>\u00abA pureza da mente \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o nas coisas divinas ap\u00f3s o exerc\u00edcio das virtudes. A obra das virtudes multiplica a gra\u00e7a no homem, e a presen\u00e7a da gra\u00e7a limpa a mente dos pensamentos maus.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote><p>(Justino Popovi\u0107,<em> Caminho do Conhecimento de Deus, <\/em>pp. 201\u2013209)<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S. E. Rev.ma M\u00e1ximos Metropolita de Ioannina Introdu\u00e7\u00e3o Desde o princ\u00edpio, Deus criou o ser humano de tal modo que pudesse tornar-se semelhante a Ele. 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