{"id":23084,"date":"2017-01-05T00:41:17","date_gmt":"2017-01-05T00:41:17","guid":{"rendered":"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/2013\/?p=23084"},"modified":"2017-01-05T13:18:15","modified_gmt":"2017-01-05T13:18:15","slug":"patriarca-ecumenico-bartolomeu-i-o-patriarca-da-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/?p=23084","title":{"rendered":"Patriarca Ecum\u00eanico Bartolomeu I: o Patriarca da Solidariedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/2013\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-23087\" src=\"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/2013\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2.jpg\" alt=\"bartolomeu-2\" width=\"640\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2.jpg 960w, https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2-300x252.jpg 300w, https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2-768x645.jpg 768w, https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2-600x504.jpg 600w, https:\/\/news.ecclesia.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/bartolomeu-2-66x55.jpg 66w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele ganhou o t\u00edtulo de <\/strong><strong>\u00abPatriarca Verde<\/strong><strong>\u00bb por ser um l\u00edder religioso que se ocupa com as quest\u00f5es ambientais h\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas. Em 2008, a revista <em>Time<\/em> elegeu o Patriarca Ecum\u00eanico Bartolomeu I como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, por <\/strong><strong>\u00abdefinir o cuidado do meio ambiente como uma quest\u00e3o de responsabilidade espiritual<\/strong><strong>\u00bb.<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel do Patriarca Ecum\u00eanico Bartolomeu I, como principal l\u00edder espiritual do mundo crist\u00e3o ortodoxo, e como uma figura transnacional de import\u00e2ncia global, adquire cada vez mais relev\u00e2ncia. No in\u00edcio deste ano o Patriarca Bartolomeu fez enormes esfor\u00e7os para organizar o Santo e Grande Conc\u00edlio da Igreja Ortodoxa em Creta, no in\u00edcio deste ano de 2016. Da mesma forma, segue trabalhando na promo\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa, dos direitos humanos, entre tantas outras iniciativas de fomento \u00e0 toler\u00e2ncia entre as religi\u00f5es do mundo, al\u00e9m de seu esfor\u00e7o pela paz internacional e a prote\u00e7\u00e3o da Cria\u00e7\u00e3o. Tudo isso o situa justamente entre os principais vision\u00e1rios, pacificadores e mediadores do mundo, como ap\u00f3stolo do amor, da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>25 anos como Arcebispo de Constantinopla e Patriarca Ecum\u00eanico<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Patriarca Ecum\u00eanico Bartolomeu, Arcebispo de Constantinopla, concedeu uma entrevista especial a um jornalista do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Parte da conversa aconteceu l\u00e1 mesmo no Fanar &#8211; no Patriarcado Ecum\u00eanico &#8211; em Istambul, no in\u00edcio de dezembro, quando o Secret\u00e1rio Geral do CMI, Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, se encontrou com o Patriarca Bartolomeu. A reuni\u00e3o coincidiu com a celebra\u00e7\u00e3o dos 25 anos como Arcebispo de Constantinopla e Patriarca Ecum\u00eanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramo-nos em seu escrit\u00f3rio residencial, um lugar acolhedor, com cores vivas, cheia de livros e \u00edcones. Ele nos recebe calorosamente, oferecendo caf\u00e9 e past\u00e9is, e logo nos faz sentir bem \u00e0 vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Patriarca Ecum\u00eanico Bartolomeu I nasceu em 1940 como Demetrios Archondonis na ilha de Imvros (hoje, G\u00f6kceada, Turquia). Foi eleito em outubro de 1991 como o 270\u00ba Arcebispo da Igreja de Constantinopla, com uma tradi\u00e7\u00e3o de 2.000 anos de funda\u00e7\u00e3o pelo Ap\u00f3stolo Santo Andr\u00e9, servindo como Arcebispo de Constantinopla-Nova Roma e Patriarca Ecum\u00eanico.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>1. CMI &#8211; Vossa Santidade atua no Conselho Mundial de Igrejas h\u00e1 muitos anos, como membro da Comiss\u00e3o F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como um ex-aluno de Bossey. Quais s\u00e3o as suas principais impress\u00f5es sobre o movimento ecum\u00eanico?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos participado efetivamente no Conselho Mundial de Igrejas desde o in\u00edcio de nosso minist\u00e9rio como membro de seus Comit\u00eas Central Executivo e de sua Comiss\u00e3o de F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o durante cerca de quinze anos dentre os quais, como vice moderador durante oito anos (1975-1983). De fato, fomos vice moderador desta Comiss\u00e3o durante a elabora\u00e7\u00e3o do Documento sobre o <em>Batismo, Eucaristia e Minist\u00e9rio<\/em>, sobre o qual a influ\u00eancia ortodoxa foi bastante expressiva. Participamos tamb\u00e9m &#8211; como representante ou chefe da delega\u00e7\u00e3o do Patriarcado Ecum\u00eanico &#8211; em tr\u00eas Assembleias Gerais do CMI: em Uppsala (1968); Vancouver (1983); e Canberra (1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossos estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o j\u00e1 nos haviam posto em contato pr\u00f3ximo com a Igreja Cat\u00f3lica em Roma e em Munique, e tamb\u00e9m com as igrejas Protestantes e, de forma mais geral, com o movimento ecum\u00eanico em Bossey, com eminentes te\u00f3logos como o falecido Nikos Nissiotis. Se d\u00favida, devemos esta forma\u00e7\u00e3o ao nosso venerado predecessor, o Patriarca Ecum\u00eanico Aten\u00e1goras, que abriu os cora\u00e7\u00f5es e as mentes dos jovens seminaristas e cl\u00e9rigos do Fanar \u00e0s rela\u00e7\u00f5es e ao di\u00e1logo entre crist\u00e3os.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Transformar as trevas em luz<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>2. Nosso mundo est\u00e1 mudando rapidamente. Vivemos tempos dif\u00edceis, mas o crente sabe que o Senhor est\u00e1 presente e ativo no mundo. Qual \u00e9 hoje o maior desafio para a vida de f\u00e9 e a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho em nosso tempo?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes s\u00e3o certamente tempos dif\u00edceis, at\u00e9 mesmo obscuros, em que discernir a presen\u00e7a de Deus em meio \u00e0s turbul\u00eancias de nosso mundo \u00e9 uma tarefa complexa. Por todos os lugares vemos mais e mais dor e sofrimento, frequentemente, incertezas e hostilidades. Um crist\u00e3o v\u00ea-se tentado a julgar e condenar o mal evidente de nossa sociedade e de nosso mundo. Mas isso seria uma rea\u00e7\u00e3o muito simplista e pouco produtiva. O desafio para n\u00f3s crist\u00e3os \u00e9 manter o olhar fixo em Cristo para transformar a escurid\u00e3o em luz, o des\u00e2nimo em esperan\u00e7a e o sofrimento em reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordamos uma homilia do falecido Metropolita Melit\u00e3o de Calced\u00f4nia, no dia de nossa ordena\u00e7\u00e3o ao Diaconato, cinquenta e cinco anos atr\u00e1s: \u00abN\u00e3o afasteis vosso olhar do Senhor transfigurado\u00bb, disse ele; \u00abLevai sempre esta luz que nunca se apaga para todas as pessoas\u00bb. Essa \u00e9 hoje a nossa miss\u00e3o ao proclamar o Evangelho. Estamos t\u00e3o distra\u00eddos pelos problemas e a confus\u00e3o que nos cerca, que nos assustamos e perdemos nossa orienta\u00e7\u00e3o espiritual? Somos capazes de discernir o rosto de Cristo em nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, vendo centenas de milhares de pessoas perseguidas e em busca de ref\u00fagio entre n\u00f3s? Ou preferimos erigir muros de prote\u00e7\u00e3o, muros que deixam as pessoas do lado de fora, paredes que consideram os outros como uma amea\u00e7a?<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s convidamos estranhos para comer em nossa mesa?<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>3. A crise dos migrantes parece preocupar a Europa e vai faz\u00ea-lo por muitos anos. No entanto, tamb\u00e9m tem dividido as igrejas, entre aqueles que se preocupam pelas amea\u00e7as \u00e0 sua identidade e os que s\u00e3o mais acolhedores. Em uma era que enfatiza tanto a diversidade, como Vossa Santidade v\u00ea a agenda da unidade evoluindo? Que tipo de esperan\u00e7a se v\u00ea?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o teol\u00f3gica de Deus na Igreja Ortodoxa \u00e9 uma imagem de encontro e comunh\u00e3o, de Deus como hospitalidade e inclus\u00e3o. \u00c9 por isso que o \u00edcone tradicional de Deus como Trindade \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas estranhos &#8211; ou estrangeiros &#8211; sob a forma de anjos recebidos por Abra\u00e3o sob o carvalho de Mamre, como descrito em G\u00eanesis, cap\u00edtulo 18. Ele n\u00e3o os considerou como perigo ou amea\u00e7a para seus caminhos e suas posses. Em vez disso, espont\u00e2nea e abertamente ofereceu a eles sua amizade e compartilhou sua comida. Como resultado dessa hospitalidade desinteressada que Abra\u00e3o obteve uma promessa que parecia imposs\u00edvel, ou seja, a multiplica\u00e7\u00e3o \u2013 literalmente, na esterilidade! &#8211; Desta semente de amor por gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 demasiado esperar que nossa disposi\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo e coopera\u00e7\u00e3o com pessoas de convic\u00e7\u00f5es religiosas diferentes e diversas tamb\u00e9m possa resultar na coexist\u00eancia, aparentemente imposs\u00edvel, de toda a humanidade num mundo em paz? Ent\u00e3o, quantos estranhos convidaremos para entrar em nossa casa e sentar-se conosco em nossa mesa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu documento oficial sobre \u00abA Miss\u00e3o da Igreja Ortodoxa no Mundo de Hoje\u00bb, o Santo e Grande Conc\u00edlio da Igreja Ortodoxa, realizado em Creta em junho de 2016, determinou que \u00aba Igreja Ortodoxa considera seu dever fomentar tudo aquilo que realmente promova e sirva \u00e0 causa da paz e prepare o caminho para a justi\u00e7a, a fraternidade, a verdadeira liberdade e o amor m\u00fatuo entre todos os filhos do \u00fanico Pai celestial, bem como entre todos os povos que comp\u00f5em a \u00fanica fam\u00edlia humana. A Igreja Ortodoxa sofre com todas as pessoas que em v\u00e1rias partes do mundo s\u00e3o privadas dos benef\u00edcios da paz e da justi\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Horizontes abertos para o mundo diverso<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>4. Sua Santidade acolheu em junho o Santo e Grande Conc\u00edlio. Qual foi o resultado mais importante para a Igreja Ortodoxa e para o movimento ecum\u00eanico em geral?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi realmente uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o termos sidos considerados dignos desta convoca\u00e7\u00e3o &#8211; com o consentimento de Suas Beatitudes os Primazes das Igrejas Ortodoxas Autoc\u00e9falas &#8211; o Santo e Grande Conc\u00edlio da Igreja Ortodoxa realizado em Creta (Junho de 2016). Este grande acontecimento hist\u00f3rico demonstrou a identidade conciliar da Igreja Ortodoxa e seus enormes esfor\u00e7os por preservar esta identidade acima de todos os interesses nacionalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, expressamos nossa profunda satisfa\u00e7\u00e3o pela decis\u00e3o do Santo e Grande Conc\u00edlio em manter a abertura ecum\u00eanica e os di\u00e1logos bilaterais da Igreja Ortodoxa, pois qualquer passo em contr\u00e1rio implicaria recess\u00e3o e introvers\u00e3o em nossos tempos j\u00e1 t\u00e3o dif\u00edceis e perturbadores. N\u00e3o \u00e9 o di\u00e1logo que constitui uma amea\u00e7a \u00e0 nossa identidade, mas sim a recusa ao di\u00e1logo e o auto-confinamento est\u00e9ril. Precisamente por isso \u00e9 que tamb\u00e9m temos e alentado e promovido sempre o di\u00e1logo inter-religioso com o juda\u00edsmo e o islamismo, o que pode aportar resultados tang\u00edveis para a reconcilia\u00e7\u00e3o global e a sagrada causa da paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reuni\u00e3o sem precedentes de tantas igrejas em Creta \u00ababriu o nosso horizonte para o mundo contempor\u00e2neo diverso e multifacetado&#8230; e enfatizou nossa responsabilidade em cada lugar e em cada tempo, sempre com a perspectiva da eternidade\u00bb. (Da Mensagem final). Tal como declara a Enc\u00edclica Formal do Santo e Grande Conc\u00edlio, a Igreja \u00e9 \u00abtestemunha no di\u00e1logo\u00bb.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Adquire um cora\u00e7\u00e3o compassivo<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>5. S. Santidade acredita que o medo \u00e9 o melhor mecanismo de dissuas\u00e3o contra a contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deveria ser o temor de um desastre iminente quanto \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica a nos obrigar a mudar nosso modo de nos relacionarmos com o meio ambiente. Pelo contr\u00e1rio, isto deveria dar-se atrav\u00e9s do reconhecimento da harmonia c\u00f3smica e da beleza original que existe no mundo. Devemos aprender a tornar nossas comunidades mais sens\u00edveis e a tornar nosso comportamento com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza mais respeitoso. Precisamos adquirir um cora\u00e7\u00e3o compassivo &#8211; o que Santo Isaac da S\u00edria, um m\u00edstico do s\u00e9culo VII, uma vez denominou \u00abum cora\u00e7\u00e3o que arde de amor por toda a Cria\u00e7\u00e3o: pelos seres humanos, as aves e animais, por todas as criaturas de Deus\u00bb. O Patriarca Bartolomeu organizou oito simp\u00f3sios internacionais e inter-religiosos, al\u00e9m de numerosos semin\u00e1rios e c\u00fapulas para tratar dos problemas ecol\u00f3gicos que afetam os rios e os mares do mundo. Suas iniciativas lhe valeram o t\u00edtulo de \u00abPatriarca Verde\u00bb, al\u00e9m da concess\u00e3o de v\u00e1rios e importantes pr\u00eamios sobre o meio ambiente. Agora, temos o <em>Acordo de Paris<\/em> e as igrejas est\u00e3o firmemente decididas em trabalhar pela justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>6. Como V. Santidade v\u00ea o futuro dos esfor\u00e7os ecum\u00eanicos em mat\u00e9ria de meio ambiente? Como V. Santidade v\u00ea a possibilidade de o cristianismo ser uma voz em favor da transi\u00e7\u00e3o que necessitamos para um futuro sustent\u00e1vel?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos muito satisfeitos que o <em>Acordo de Paris<\/em> tem sido amplamente aceito. De fato, participamos nas etapas de prepara\u00e7\u00e3o para a COP 21 atendendo ao am\u00e1vel convite do governo franc\u00eas. A este respeito, acompanhamos o Presidente Hollande \u00e0s Filipinas e participamos de uma c\u00fapula interdisciplinar em Paris antes da Confer\u00eancia das Partes em dezembro de 2015. A 22\u00aa reuni\u00e3o da Confer\u00eancia das Partes sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em Marraquexe foi, por um lado, motivo de celebra\u00e7\u00e3o, por outro, por\u00e9m, uma dolorosa lembran\u00e7a de que somente hoje 197 pa\u00edses ratificaram uma conven\u00e7\u00e3o que entrou em vigor ap\u00f3s a C\u00fapula da Terra <em>Rio de 1992<\/em>. Vinte e dois anos, no entanto, \u00e9 um tempo inaceitavelmente longo para se responder \u00e0 crise ambiental, especialmente quando estamos conscientes de suas conex\u00f5es \u00edntimas e insepar\u00e1veis com a pobreza, a migra\u00e7\u00e3o e o mal-estar em n\u00edvel mundial. Que pre\u00e7o estamos dispostos a pagar? Ou, quantas vidas estamos dispostos a sacrificar por ganhos materiais ou financeiros? E a que custo renunciar\u00edamos ou impedir\u00edamos a sobreviv\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o de Deus? Depois de vinte e dois anos, finalmente, \u00e9 chegado o tempo &#8211; e j\u00e1 devia ter chegado h\u00e1 muito tempo &#8211; de todos n\u00f3s identificarmos os rostos humanos que padecem as consequ\u00eancias de nossos pecados ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, como temos dito repetidamente, \u00abestamos todos no mesmo barco\u00bb. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 um problema de uma na\u00e7\u00e3o ou outra, de uma ra\u00e7a ou de outra, ou de uma ou outra religi\u00e3o. S\u00f3 podemos dar respostas \u00e0s demandas e propor\u00e7\u00f5es das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas quando assumimos todos juntos as nossas responsabilidades como crentes e cidad\u00e3os.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A promo\u00e7\u00e3o da unidade crist\u00e3<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>7. Lemos o texto de uma <\/em><em>\u00abCarta Enc\u00edclica do Patriarca Ecum\u00eanico \u00e0s Igrejas Ortodoxas Autoc\u00e9falas, em rela\u00e7\u00e3o com o Conselho Mundial de Igrejas<\/em><em>\u00bb, de 1952. O que essa carta significa hoje para a Igreja Ortodoxa?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta <em>Carta Enc\u00edclica \u00e0s Igrejas Ortodoxas Autoc\u00e9falas,<\/em> de 1952 &#8211; ou seja, nos est\u00e1gios mais antigos e mais formativos da cria\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial de Igrejas, que tamb\u00e9m tinham o desejo de \u00a0encorajar as Igrejas Ortodoxas a participarem do CMI, numa \u00e9poca em que prevalecia a suspeita e a relut\u00e2ncia, tal como sucedeu na 3\u00aa Assembleia do CMI, em Nova D\u00e9lhi (1961) &#8211; articula-se no mesmo esp\u00edrito em que foram adotadas as recentes decis\u00f5es do Santo e Grande Conc\u00edlio da Igreja Ortodoxa. A Igreja Ortodoxa n\u00e3o enfatiza um aspecto de sua f\u00e9 \u00e0 custa de outra religi\u00e3o; mas, busca preservar a sagrada &#8211; embora \u00e0s vezes delicada \u2013 simetria entre a f\u00e9 e a ordem, a doutrina e a disciplina, a f\u00e9 e o agir. Por isso, em suas decis\u00f5es sobre \u00abas rela\u00e7\u00f5es da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo crist\u00e3o\u00bb, o Santo e Grande Conc\u00edlio afirmou a sua convic\u00e7\u00e3o de que a Igreja Ortodoxa, em sua profunda autoconsci\u00eancia eclesial, est\u00e1 firmemente convencida de que ela ocupa um lugar central na quest\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o da unidade dos crist\u00e3os no mundo de hoje. Al\u00e9m disso, as Igrejas e os bispos reunidos em Creta, concordaram que este compromisso \u00abbrota de um sentido de responsabilidade e da convic\u00e7\u00e3o de que a compreens\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatuas s\u00e3o de import\u00e2ncia fundamental se aspiramos a n\u00e3o impor jamais obst\u00e1culo no caminho do Evangelho de Cristo\u00bb.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A contribui\u00e7\u00e3o da Igreja Ortodoxa \u00e0 peregrina\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a e paz<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>8. Qual \u00e9 o maior desafio para o Conselho Mundial de Igrejas na perspectiva de Vossa Santidade? Como o CMI pode continuar a ser relevante para as igrejas-membros e para o movimento ecum\u00eanico em geral? E o que podemos aprender com a vossa Igreja &#8211; como parte da peregrina\u00e7\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conselho Mundial de Igrejas foi estabelecido sobre a base da proclama\u00e7\u00e3o da unidade das confiss\u00f5es crist\u00e3s em sua f\u00e9 trinit\u00e1ria, professando, ao mesmo tempo, as diferen\u00e7as de suas igrejas-membros. Portanto, para manter estes dois polos equilibrados, \u00e9 importante reconhecer os princ\u00edpios fundamentais da f\u00e9 crist\u00e3 e, ao mesmo tempo, respeitar os ensinamentos fundamentais e as tradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de cada denomina\u00e7\u00e3o. \u00c9 sempre tentador &#8211; embora tamb\u00e9m perigoso &#8211; defender um aspecto de um desses polos e condenar aos defensores do outro de obstaculizar o processo de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Santo e Grande Conc\u00edlio, as Igrejas e os hierarcas debateram &#8211; \u00e0s vezes apaixonadamente, embora sempre de maneira positiva \u2013 sobre o importante trabalho do Conselho Mundial de Igrejas e, especialmente, de sua Comiss\u00e3o de F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o. O documento espec\u00edfico sobre \u00abAs rela\u00e7\u00f5es da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo crist\u00e3o\u00bb sublinha o empenho da Igreja Ortodoxa na promo\u00e7\u00e3o da unidade dos crist\u00e3os, ao mesmo tempo em que \u00abcontribui com todos os meios \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o da coexist\u00eancia pac\u00edfica a coopera\u00e7\u00e3o nos principais desafios sociopol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento ecum\u00eanico n\u00e3o \u00e9 um \u00abconsenso interconfessional\u00bb, mas a ades\u00e3o \u00e0 nossa obriga\u00e7\u00e3o e mandato a alcan\u00e7ar unidade crist\u00e3 sem nos afastarmos da verdadeira f\u00e9 da Igreja Una, Santa, Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica\u00bb. \u00c9 por isso que o mesmo documento conciliar conclui: \u00abCom efeito, a Igreja Ortodoxa considera importante que todos os crist\u00e3os, inspirados nos princ\u00edpios fundamentais comuns do Evangelho, busquem oferecer com entusiasmo e solidariedade solu\u00e7\u00f5es aos espinhosos problemas da contemporaneidade\u00bb Esta seria a singular e inestim\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o da Igreja Ortodoxa para a <em>Peregrina\u00e7\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz<\/em>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Respirar o Esp\u00edrito de Deus<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>9. Vossa Santidade poderia descrever o movimento ecum\u00eanico em termos relevantes e atrativos para a gera\u00e7\u00e3o jovem?<\/em><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua pergunta aporta tanto a premissa como a promessa de nossa resposta. O movimento ecum\u00eanico n\u00e3o \u00e9 lealdade ideol\u00f3gica ou engajamento social; n\u00e3o \u00e9 persuas\u00e3o pol\u00edtica ou ativismo global. \u00c9 um movimento; e como tal deve permanecer, como movimento. Isto \u00e9, deve sempre inspirar-se e ser alimentado pelo alento do Esp\u00edrito de Deus que deve arder em nossos cora\u00e7\u00f5es e em nossas vidas. \u00c9 este Esp\u00edrito que nos mant\u00e9m unidos e d\u00e1 sentido a todos os aspectos da vida eclesial. \u00c9 por tanto, este mesmo Esp\u00edrito o que explica nossa ades\u00e3o aos princ\u00edpios e tradi\u00e7\u00f5es de nossa f\u00e9; e \u00e9 o mesmo Esp\u00edrito que ilumina a nossa capacidade de \u00abdiscernir os sinais de nosso tempo\u00bb, bem como a nossa responsabilidade de testemunhar o Evangelho de uma maneira prof\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ironicamente, n\u00e3o gostar\u00edamos de aconselhar ou admoestar a gera\u00e7\u00e3o jovem. Em certos sentidos, eles \u00e9 que t\u00eam mais a ensinar para a gera\u00e7\u00e3o mais velha sobre a abertura e a amabilidade, sobre o perd\u00e3o e a generosidade. Talvez dev\u00eassemos alentar aos jovens a permanecer fiel a si mesmos apesar das for\u00e7as e dos esfor\u00e7os generalizados para discriminar e dividir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento ecum\u00eanico seguir\u00e1 relevante em nosso mundo se voltarmos aos princ\u00edpios fundamentais do Evangelho de amar o pr\u00f3ximo, alimentar os famintos e acolher o estrangeiro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oikoumene.org\/es\/press-centre\/en\/resources\/documents\/other-meetings\/communique-from-world-council-of-churches-inter-orthodox-consultation\">Conselho Mundial de Igrejas<\/a><br \/>\nFoto: Sean Hawkey<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o do espanhol por: Pe. 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